Iniciativas   Notícias   Publicações   Unfpa   Parlamentares
Notícias
 
 
 
 

Bem-vindo ao
UNFPA Brasil

3

2 Endereço:
EQSW 103/104, Bloco C, Lote 1, 2ºandar - SETOR SUDOESTE, Brasília, DF CEP: 70670-350

1 E-mail:
unfpa@unfpa.org.br

Direitos reprodutivos: um olhar sobre a maternidade, a paternidade e os projetos de vida


“É uma questão para a gente pensar. Apesar de eu trabalhar com isso, com prevenção, ter informações e tudo, eu também engravidei jovem. Eu sabia, mas foi uma escolha minha. Quero continuar estudando, ser estilista, e não vejo como um problema o fato de ter tido minha filha”.

A afirmação é de Denise de Oliveira Cruz, que defendeu o direito de os jovens terem filhos, durante o painel Direitos reprodutivos: um olhar sobre a maternidade, a paternidade e os projetos de vida , realizado como parte da III Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, entre 24 e 25 de junho na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

Embora a sociedade imponha a busca da autonomia como uma prioridade para os jovens, ou seja, entrar no mercado de trabalho e se estabelecer financeiramente, antes de ter filhos, muitos vêem na maternidade uma alternativa de empoderamento social ou, mesmo, uma opção de vida.

“É verdade que depois que você tem filho não é fácil. Você pode mostrar a realidade do mundo para os jovens e isso pode ajudar as pessoas a repensarem a decisão. Mas não vai impedir quem quer ter filhos mais cedo”, complementou Denise.

Segundo Elizeu Chaves, Representante Auxiliar do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, a maternidade tem sido um instrumento poderoso de reconhecimento social, uma ferramenta de afirmação e poder. “Além de já ter sido utilizada para demarcar o limite entre a juventude e os anos adultos, a possibilidade da maternidade é vista de maneiras diferentes por homens e mulheres”, explicou.

Para ele, é preciso repensar e enfatizar a questão de outras masculinidades possíveis, já que o desenho do comportamento masculino imposto pela sociedade afeta as relações, o acesso a serviços, a segurança e a saúde do próprio homem e de suas redes sociais. “A violência é outro componente do problema, especialmente quando se trata do recurso à violência como forma de afirmação social”, lembrou Chaves.

Ricardo, enfermeiro, foi pai aos 20 anos. Para ele, não foi uma escolha, pois a gravidez não foi planejada. “As mudanças na minha vida depois disso foram principalmente em termos de adiamento de projetos. Sou muito participativo na criação do meu filho e acabei sendo ‘pãe’, uma mistura de pai com mãe Tive que amadurecer, adiei meu mestrado e tive que me tornar independente, apesar de termos tido apoio da família, inclusive financeiro”.

“A rede de apoio é muito importante, mas tive que me sacrificar de várias formas, principalmente nos estudos. Faltava provas, mas continuei firme, porque depois da faculdade havia a perspectiva de uma melhoria de vida”, explicou.

Para ele, para garantir que a paternidade ou a maternidade sejam escolhas conscientes, é preciso trabalhar a questão do corpo e da sexualidade do menino e da menina, dos métodos contraceptivos disponíveis, a decisão de engravidar. “Ver os projetos de vida tanto do menino quanto da menina. Se ele não conhece os métodos, fica até difícil negociar a utilização”, concluiu.

Ricardo e Denise acreditam que é preciso haver “um melhor atendimento para os jovens. Não ver a menina como usuária dos serviços de prevenção apenas quando é mãe. Não afastar essas pessoas dos serviços”.

Para Sandra Unbehaum, da Fundação Carlos Chagas, as abordagens têm que ser adequadas à faixa etária. “Não podemos tratar jovens de 10 anos como tratamos jovens de 24, é claro. Existem diferenciais na abordagem em saúde segundo a faixa etária. Há ‘diversas’ adolescências, assim como há ‘diversas’ gestações na adolescência. Mas tratar do tema dos 10 aos 14 anos é, certamente, mais desafiador”.

“Se a gente observa como o comportamento de homens e mulheres tem sido diferente, isso nos obriga a repensar os serviços. Cerca de 75% dos contraceptivos são de utilização prioritária feminina. Os homens ainda têm que descobrir seu papel e participar do planejamento reprodutivo”, argumentou.

 

 

 Fondo de Poblacion de las Nacionas Unidas   Contate-nos | Sistema ONU | Termos e condições | Mapa do site |