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Alunos do DF comemoram 60 anos da DUDH com arte e reflexão


Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos e estende suas comemorações a alunos de ensino médio do DF.

Em uma iniciativa  da ONU no Brasil e da União Européia, com o apoio do Governo do Distrito Federal, 60 alunos de oito escolas do DF foram convidados a reinterpretar artisticamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) a partir de uma análise baseada em suas realidades.

Como parte da iniciativa, foi proposto aos jovens a formulação de sugestões para implementar os artigos da Declaração em suas comunidades. As reflexões e sugestões foram apresentadas a especialistas em direitos humanos no evento “Direitos Humanos: a proposta jovem”, quando também se comemorou o Dia da ONU. O evento aconteceu em 24 de outubro no Memorial JK.

Para a realização das atividades, foram selecionados alunos de 6 escolas públicas e 2 particulares de diferentes regiões do Distrito Federal. As escolas públicas participantes eram o Centro de Ensino Médio Setor Leste, Centro de Ensino Médio Taguatinga Norte, Centro de Ensino Médio 01 de Sobradinho, Escola Classe Casa Grande do Gama, Centro de Ensino Médio Stella dos Cherubins (Planaltina), Centro de Ensino Médio 04 Ceilândia. As escolas particulares foram representadas pela Escola das Nações e pelo Lycée François Miterrand (Escola Francesa).

Os alunos foram divididos em 30 duplas mistas e orientados por professores de suas instituições, além de especialistas da ONU e da União Européia. As preparações duraram cerca de um mês e, como resultado, teatros, vídeos e danças foram protagonizados pelos estudantes no evento do dia 24.

 Preparação

A tarefa de reinterpretar artisticamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) movimentou o cotidiano das escolas escolhidas. Ao longo de todo o mês de setembro, os alunos criaram e ensaiaram as apresentações.

Como parte do programa, foram ministradas palestras sobre direitos humanos, que envolveram mais de 800 pessoas, entre estudantes e professores. Segundo Jean Silva Gomes, professor de Filosofia e coordenador das atividades do Centro de Ensino Médio Setor Leste, as palestras contribuíram para apresentar a DUDH aos alunos. Os alunos da Escola Classe Casa Grande do Gama concordaram: “Vimos direitos que nem sabíamos que existiam” .

aA DUDH e a ONU não eram temas novos para a Escola das Nações. Na instituição, onde temas como os direitos humanos são sempre discutidos, a novidade estava em colocar o conhecimento em prática. “Apesar de ter várias atividades, é a primeira vez que o que fazemos é levado para fora da escola e apresentado para várias pessoas”, comemorou a aluna Bruna Daitoku, enquanto aguardava com boas expectativas o início das apresentações.

Bastidores

cAs dezenas de estudantes das oito escolas de Ensino Médio do DF encheram o Memorial JK na manhã de 24 de outubro. Enquanto aguardavam o início das atividades, os adolescentes transformaram as cadeiras do auditório em um camarim improvisado. Entre os muitos preparativos, jovens fantasiados, mascarados e com caras pintadas caminhavam de um lado para o outro e organizavam os últimos detalhes.

dFranciele era uma dessas jovens. Aluna do Centro de Ensino Médio Stella dos Cherubins, de Planaltina, ela não fazia parte do elenco que iria se apresentar no palco. Mas fez questão de ajudar suas colegas com os preparativos. Enquanto arrumavam a roupa, os cabelos e se maquiavam, as alunas não escondiam a animação.

 

ePouco antes das apresentações, os alunos da Escola Francesa Lycée François Miterrand, também se preparavam. Escalados para serem os primeiros a se apresentar, esperavam concentrados. Conversavam sobre os últimos detalhes. Gabrielle Martinez, uma das alunas da escola, comentou que a experiência era “muito legal”. Os ensaios duraram duas semanas e a principal dificuldade foi “encontrar uma boa idéia para representar os artigos da DUDH”, afirmou a estudante.

No meio dos jovens, o professor e coordenador das atividades no Centro de Ensino Médio Taguatinga Norte, Adalto Serra, tinha boa expectativas em relação ao evento e à apresentação de seus alunos. “A grande preocupação estava em gerar uma discussão além do óbvio”, disse Adalto. Na escola, os alunos surpreenderam o professor. Com um debate maduro, eles aceitaram bem o projeto. O resultado foi uma apresentação com um discurso bastante consistente.

Platéia renomada

As apresentações das oito escolas tiveram como público especialistas em Direitos Humanos, integrantes do Sistema das Nações Unidas no Brasil, representantes de países da União Européia, ministros e autoridades do governo do DF.

fApós a apresentação do Hino Nacional pelo Coral da ONU, a Coordenadora Residente do Sistema ONU no Brasil, Kim Bolduc, abriu o evento. Em um discurso que tocou em temas como crise financeira e ambiental, Kim ressaltou que “para contar com os jovens, é preciso garantir oportunidades para eles”.

Em seu discurso, pouco antes do começo das apresentações, a Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, alertou que “sempre ouvimos dizer que os jovens são o amanhã das nações. Mas, na verdade, são os protagonistas do presente”.

No intervalo entre as apresentações, o Vice-Governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, comentou suas impressões sobre o evento. “Tenho acompanhado vários eventos no Memorial JK, mas esse é, sem dúvidas, o mais emocionante”. Disse, ainda, que assistindo as apresentações, percebeu que é possível acreditar em um futuro melhor.

Estiveram presentes ao evento a Ministra Nilcéia Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), o Ministro Edson Santos (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), o Vice-Governador do DF, Paulo Octávio, a Coordenadora Residente do Sistema ONU no Brasil, Kim Bolduc e o Embaixador da França, Antoine Pouillieute, cujo país exerce atualmente a Presidência da UE, entre outras autoridades e personalidades.

 Resultados

gAs apresentações artísticas foram marcadas por uma intensa abordagem de questões como raça, gênero e desigualdade. Vídeos, apresentações de teatro e danças revelaram a opinião de centenas de jovens representados pelos 60 alunos selecionados. O Centro de Ensino Médio Setor Leste, em uma apresentação expressiva, sintetizou o pensamento de muitos dos jovens presentes: “a mudança somos nós”.

A apresentação do Centro de Ensino Médio 04 Ceilândia foi marcada pela intensa abordagem sobre a importância da cultura, assim como a necessidade de mais projetos culturais para a comunidade.

A universalidade da Declaração foi representada pela Escola Francesa, que finalizou a apresentação com a frase “A união faz a força” pronunciada em seis idiomas.

O professor e coordenador das atividades na Escola das Nações, Steve Thompsom, ressaltou a importância do evento para disseminar informações sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Destacou, também, a “oportunidade de interação entre escolas de diversas regiões do DF”. Por fim, sugeriu que o evento não aconteça só como comemoração, mas que seja uma manifestação periódica.

Saiba mais sobre os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos: http://www.dudh.org.br/
www.onu-brasil.org.br e http://europa.eu/index_pt.htm  

 

 

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