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UNFPA auxilia famílias vulneráveis na Geórgia

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TBILISI, Geórgia— Com suas casas queimadas e destroçadas, suas famílias desestruturadas e fragmentadas, muitas mães e suas crianças ainda estão em estado de choque. “Fugimos da vila e tomamos uma estrada mais alta para escapar”, conta Nina, uma mãe da região de Tskhinvali, onde as tensões políticas eclodiram no começo de agosto. “Mas eu preferia não ter saído assim porque a gente via a estrada de baixo sendo bombardeada e os civis que tentavam escapar sendo mortos em seus carros”, ela explicou.

Enquanto Nina relembra a crise, seu filho Alexander (nome fictício), de dez anos, está sentado a seu lado, pálido, olhando sem expressão para o chão. A escola será adiada e ele não sabe o que vai acontecer agora que sua casa não existe mais.  

Apesar de rebeldes armados patrulharem a área, há algumas trancas nas portas dos abrigos temporários nos antigos escritórios soviéticos das Forças do Sul do Cáucaso, onde mais de 1.500 pessoas desalojadas se refugiaram. Nina e Alexander encontraram refúgio num edifício de nove andares esparsamente mobiliado, com apenas um banheiro em funcionamento e energia elétrica só em três pavimentos.

Dormindo com ratos
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Em outro quarto, Samira e sua filha mais velha têm que dormir sentadas em duas cadeiras escolares de madeiras que conseguiram achar. A família de quatro pessoas se reveza em turnos no colchão, mas dormir nas cadeiras tem seus benefícios, já que o prédio está infestado de ratos. Samira (nome fictício) e sua família são da vila de Tordiza, que até o momento tem enfrentado o pior dos bombardeios. Antes da crise eles viviam em uma fazenda, cuidavam de pomares e ordenhavam vacas para ter leite fresco e queijo caseiro.

Estima-se que 2/3 das 120 mil pessoas desalojadas pelo conflito retornarão para casa assim que as tensões diminuírem. Mas algumas pessoas que tentaram voltar para seus lares em Gori retornaram a Tbilisi desmoralizadas e devastadas. Os habitantes do norte de Gori e da Ossécia do Sul não conseguem nem sequer imaginar a possibilidade de retorno ao lar num futuro próximo, particularmente os que vêm de lugares onde há bombas não explodidas, minas terrestres e outros tipos de munição abandonada em cidades e casas.

Sem esperança e traumatizados

c Quando as pessoas desalojadas começaram a chegar em grandes quantidades à capital e a outras cidades, os profissionais que trabalham com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na Geórgia foram pegos de surpresa.

No começo do ano, lidar com kits de emergência de saúde reprodutiva, pacotes de higiene pessoal e violência política pareciam coisas muito distantes da realidade que eles conheciam. Além de seu compromisso profissional, que resultou em longos dias de trabalho e várias noites sem dormir, muitos dos funcionários do UNFPA em Tbilisi estão pessoalmente envolvidos na crise, pois também têm familiares buscando refúgio da guerra.

Ao longo dos últimos sete anos, o escritório do UNFPA na Geórgia tem paulatina e sistematicamente capacitado, equipado e apoiado as operações de quatro equipes móveis de saúde reprodutiva para prestar serviços em comunidades sem acesso a hospitais e cuidados regulares de saúde. A equipe móvel, que vinha prestando serviços de rotina em Gori, agora cuida de pacientes em Tbilisi, desalojados por causa da instabilidade.

Dados mais consistentes e mais recursos são necessários

Nesse estágio, pouco se sabe ou se discute abertamente sobre a violência de gênero sofrida por mulheres e meninas quando os soldados atacam suas cidades. Ainda assim, alguns incidentes isolados estão sendo compartilhados, um dos quais aconteceu com uma moça de 19 anos, que foi seqüestrada na estrada para Tbilisi e levada para Tkshinvali até ser libertada duas semanas atrás.

“Para ajudar efetivamente essas pessoas, precisamos de estatísticas melhores sobre situações relacionadas com violência de gênero e saúde reprodutiva, como o número de mulheres grávidas afetadas pelo conflito”, afirmou Tamar Khomasuridze, responsável pelo UNFPA na Geórgia. Há estatísticas disponíveis nos centros visitados pelas unidades de serviço móvel do UNFPA em Tbilisi, Batumi, Rutavi e Kutaisi. Mas são necessários esforços colaborativos com o Centro Nacional para Controle de Doenças para consolidar esses dados, uma tarefa desafiadora numa situação de emergência.

Apesar de todos os esforços em campo, apenas recursos modestos têm sido canalizados para responder à crise e a Sra. Khomasuridze enfatiza a necessidade de mais recursos. Em 18 de agosto, o UNFPA, em colaboração com 25 outras instituições, entre agências das Nações Unidas e organizações não governamentais, lançou um Apelo Relâmpago solicitando US$59,7 milhões para auxiliar 130 mil pessoas desalojadas num período inicial de planejamento de seis meses.

O UNFPA está solicitando US$608.500 do total de recursos para saúde materna e apoio às necessidades especiais de mulheres e jovens afetados pela crise. Esses recursos ajudarão no fortalecimento da capacidade de instalações locais de saúde para restaurar os serviços de saúde reprodutiva, disponibilizar kits de emergência de saúde reprodutiva, serviços de campo de equipes móveis e treinamento de profissionais da área médica em padrões de saúde de emergência. Se a porção solicitada pelo UNFPA como parte do apelo mundial for financiada, os recursos permitirão a disponibilização de tratamento pós-estupro, incluindo kits de profilaxia para prevenir a transmissão do HIV, para as pessoas sobreviventes.

Recrutando jovens para a assistência

O UNFPA já está ajudando na saúde e dignidade das pessoas desalojadas por meio da provisão de kits básicos de higiene pessoal para famílias. O UNFPA mobilizou voluntários da Associação de Estudantes de Medicina da Geórgia para montar sacolas plásticas com suplementos multivitamínicos, sabão, xampu, toalhas, escovas de dente e pasta dental, roupas íntimas, absorventes higiênicos e kits para barbear. Estes são itens que algumas das pessoas desalojadas identificaram como necessidades prioritárias em uma avaliação rápida.

Mary Rogava, presidente da associação, outros estudantes e educadores por pares se juntaram para montar os kits na sede da Iniciativa para a Saúde Reprodutiva da Juventude do Sul do Cáucaso, que se transformou em um esforço humanitário de ajuda em resposta à crise. Os kits são então mandados para famílias como Nina e seu filho Alexander, que ajudarão a distribuí-los a outras famílias em abrigos temporários. Os pacotes são chamados de “kits pela dignidade” porque permitem que as mulheres possam cuidar de sua família durante o período menstrual mensal sem se preocupar e permitem aos homens buscar trabalho ou ajuda com o rosto limpo.

Quando Nina e Alexander recebem os kits pela dignidade, entram em ação. Primeiro, Nina revisa os nomes em uma lista de 65 mulheres e suas famílias que estão vivendo em dois abrigos temporários. Alexander fica atento, observando à medida que cada família recebe os kits com o mesmo brilho que possuía no olhar antes de a crise começar.

—Maha Muna de Tbilisi e Shannon Egan de Nova York

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