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Redes Negras lançam documento contra racismo e pela eqüidade em saúde


Um dos principais resultados da série de encontros das Redes Negras durante o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, que aconteceu em Florianópolis de 25 a 28 de junho, a Carta Aberta do Movimento Negro aponta reivindicações do movimento em prol de uma maior eqüidade em saúde.

Segundo o documento – assinado pela Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, pela Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde Rede Lai Lai Apejo – População Negra e Aids, pela Rede Nacional Afro-Atitudes e pela Rede de Mulheres Negras do Paraná – embora o movimento negro seja um sujeito político que atua na defesa do direito à saúde e na luta contra a aids desde a década de 80, persiste o  desafio  de  mobilizar  a  sociedade  para  reconhecer  o crescimento e o recrudescimento da epidemia de aids na população negra.

Os negros (pretos e pardos) respondem por parcela expressiva da população nacional: atualmente, quase metade do total de brasileiros -- 49,5% da população -- é de negros, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2006).

No entanto, as estatísticas apontam diferenças sócio-raciais na saúde de negros e brancos, já que, embora a maioria das doenças que afetam a população negra sejam as mesmas da população de um modo geral, a população negra tem um perfil mais crítico de saúde, o que pode ser explicado em grande parte por contextos históricos e pelo racismo.

As desigualdades existentes na sociedade brasileira, que se repetem no acesso das pessoas negras a informações e aos serviços de saúde, podem ser evidenciadas, por exemplo, nas causas maternas de morte: dados de 2006 do Ministério da Saúde mostram que, entre as mulheres negras, o risco de morte materna era 44% maior que entre as mulheres brancas.

Esse alto índice de mortalidade materna reflete, entre outras causas, o baixo acesso ao pré-natal e, por extensão, aos serviços de saúde em geral, além de diferenças no atendimento a pessoas negras. Todos esses fatores influem, também, nas possibilidades de prevenção e cuidado no caso de infecções sexualmente transmissíveis, HIV e aids na população negra.

Os encontros das Redes Negras durante o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids discutiram os temas "População Negra e AIDS: uma questão de eqüidade e vontade política" (dia 26 de junho) e "O impacto do racismo na saúde: ações conjuntas diante da Portaria 3060/2007 e á luz da Política de Saúde da População Negra no cenário nacional" (dia 27 de junho).

Iniciativa da Rede Lai Lai Apejo – População Negra e Aids, da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde e da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, com o apoio do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, os encontros visavam ampliar as discussões e fortalecer as articulações na perspectiva do enfrentamento do racismo e da promoção da saúde com eqüidade.

Segundo Pai Celso, da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, os encontros tiveram como foco de discussão a Política Nacional de Atenção à Saúde Integral da População Negra e sua interface com os Planos Nacionais de reposta à epidemia de HIV/AIDS no Brasil lançados recentemente.

Mais informações: redesaudenegra@gmail.com - (11) 8219 5595 – Babalorixá Celso Ricardo de Oxaguián: Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra.

 

 

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