Série de encontros das Redes Negras discutem racismo e eqüidade em saúde durante o VII Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids, que acontece em Florianópolis, Santa Catarina, de 25 a 28 de junho.
Os encontros, sempre às 19h00, abordarão os temas "População Negra e AIDS: uma questão de eqüidade e vontade política" (dia 26 de junho) e "O impacto do racismo na saúde: ações conjuntas diante da Portaria 3060/2007 e á luz da Política de Saúde da População Negra no cenário nacional" (dia 27 de junho).
Os negros (pretos e pardos) respondem por parcela expressiva da população nacional: atualmente, quase metade do total de brasileiros -- 49,5% da população -- é de negros, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2006.
No entanto, as estatísticas apontam diferenças sócio-raciais na saúde de negros e brancos, já que, embora a maioria das doenças que afetam a população negra sejam as mesmas da população de um modo geral, a população negra tem um perfil mais crítico de saúde, uma recorrência que pode ser explicada em grande parte por contextos históricos e pelo racismo.
O círculo vicioso de desigualdade existente na sociedade brasileira, que se repete no acesso à saúde por parte das pessoas negras, pode ser evidenciado, por exemplo, nas causas maternas de morte: dados de 2006 do Ministério da Saúde mostram que, entre as mulheres negras, o risco era 44% maior que para as mulheres brancas. Esse alto índice de mortalidade materna reflete, entre outras causas, o baixo acesso ao pré-natal e, por extensão, aos serviços de saúde em geral, além de diferenças no atendimento de pessoas negras. Todos esses fatores influem, também, nas possibilidades de prevenção e cuidado no caso de infecções sexualmente transmitidas, HIV e aids na população negra.
Iniciativa da Rede Lai Lai Apejo – População Negra e Aids, da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde e da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, com o apoio do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, os encontros visam ampliar as discussões e fortalecer as articulações na perspectiva do enfrentamento do racismo e da promoção da saúde com eqüidade.
Segundo Pai Celso, da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra, os encontros têm como foco de discussão a Política Nacional de Atenção á Saúde Integral da População Negra e sua interface com os Planos Nacionais de reposta à epidemia de HIV/AIDS no Brasil lançados recentemente. "Esses encontros devem delinear uma agenda coletiva, construída pelas diferentes redes considerando a importância da diversidade regional e dos indicadores de saúde, apontando uma melhor atuação do poder público para dar uma resposta ao impacto do racismo na saúde da população negra e em particular no que diz respeito à prevenção, diagnóstico e tratamento no amplo universo do HIV/AIDS".
Mais informações: redesaudenegra@gmail.com - (11) 8219 5595 – Babalorixá Celso Ricardo de Oxaguián: Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra.
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