Líderes religiosos de toda a América Latina e Caribe vão se reunir a partir de amanhã, 16 de setembro, em Buenos Aires, Argentina, para discutir como a religião pode ajudar a reduzir, entre outras questões, a mortalidade materna e a violência de gênero na região e no mundo.
Trata-se do fórum Fortalecendo parcerias para reduzir a mortalidade materna, acabar com a violência contra mulheres e lidar com a migração, que faz parte de uma série de eventos regionais com instituições religiosas realizados pelo UNFPA, o Fundo de População das Nações Unidas.
Durante o evento de dois dias, representantes de cerca de 100 instituições religiosas da América Latina devem discutir práticas bem sucedidas e lições aprendidas no estabelecimento de parcerias para a promoção do desenvolvimento.
Os participantes também devem propor recomendações para o fortalecimento dessas parcerias e a adoção de abordagens inovadoras com vistas à concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e das metas acordadas durante a Conferência do Cairo nas áreas de saúde reprodutiva e igualdade de gênero.
Para a Representante do UNFPA no Brasil, Alanna Armitage, “a iniciativa, desenvolvida em parceria com instituições religiosas, reflete a abordagem do UNFPA ao desenvolvimento, que se constrói numa perspectiva de promoção da igualdade de gênero, sensibilidade cultural e desenvolvimento de programas orientados para a promoção e efetivação dos direitos humanos”.
Segundo a Sra. Armitage, que participa do evento representando a Diretora Regional do UNFPA para América Latina e Caribe, Sra. Marcela Suazo, “essa abordagem leva em consideração a importância de se estabelecer parcerias com todos os agentes de mudança social, especialmente as instituições religiosas e os líderes comunitários, para facilitar o planejamento e a implementação de programas de desenvolvimento sustentável e o fortalecimento das próprias comunidades”.
Os parceiros do UNFPA incluem organizações religiosas como a Aliança Evangélica da Guatemala, a instituição Fé e Alegria da Nicarágua, o Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI) e o Escritório Regional da América Latina e Caribe de Religiões pela Paz (WCRP).
Delegação Brasileira
Mãe Nalva, uma das principais articuladoras da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde do estado do Pará, é uma das representantes do Brasil no evento. Pioneira na formação de parcerias entre entidades religiosas e autoridades sub-nacionais e locais de saúde, Mãe Nalva faz parte do Fórum de ONG/Aids do Pará, é associada ao Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira, representante nacional das Comunidades Tradicionais Afro-religiosas no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) e integrante do Movimento Popular de Saúde.
A delegação brasileira também inclui a Ir. Maria do Carmo dos Santos Gonçalves, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, onde atua como Secretária Executiva do Setor Pastorais da Mobilidade Humana e como Secretária Executiva da Pastoral para os Brasileiros no Exterior (PBE).
A psicóloga Eleni Rodrigues Mender Rangel é outra representante do país no evento. Vice-presidente da CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço, com sede na cidade de Salvador, Bahia, Eleni passou a atuar na reflexão de gênero a partir da participação em organismos eclesiásticos, escrevendo artigos, falando sempre que convidada em igrejas, empresas e outras instituições, e participando das conferências municipais de políticas públicas para mulheres e de direitos humanos.
A expectativa é de que, a partir do fórum, a delegação brasileira possa trazer subsídios para o mapeamento de instituições religiosas que atuam no país nas áreas discutidas durante o evento ou em áreas prioritárias, identificação das abordagens utilizadas por essas instituições, elaboração de recomendações para ação futura, levantamento de potenciais parceiros e desenvolvimento de um plano de ação estratégica para o Brasil.
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