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Vida sexual precoce reforça necessidade de ações de prevenção às DST e aids


Com ASCOM PN-DST/Aids

As mulheres brasileiras estão antecipando o início da vida sexual e está diminuindo o número de meninas jovens que são virgens. As conclusões são da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde 2006, realizada com recursos do Ministério da Saúde. Os dados mostram que 32,6% das entrevistadas tiveram relações sexuais antes dos 15 anos, índice quase três vezes maior que o registrado em estudo semelhante, realizado em 1996 (11%). Nesses dez anos, o número de mulheres de 15 a 19 anos sem vida sexual ativa caiu de 67,2% para 44,8%.

A pesquisa desenvolvida pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), sob orientação do Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (IBOPE), traça um perfil das mulheres em idade fértil moradoras de áreas urbanas e rurais. Foram entrevistadas 56.365 pessoas, residentes em 14.617 domicílios.

A análise dos números indica que a contracepção e a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e aids são desafios a serem enfrentados desde o início da vida sexual. O estudo revelou, ainda, o aumento do uso do preservativo em mulheres de todas as faixas etárias – passou de 4% (1996) para 12% (2006). Entre as jovens sexualmente ativas de 15 a 19 anos, 66% já haviam usado algum método contraceptivo. Preservativo (33%), pílula (27%) e anticoncepcionais injetáveis (5%) foram os mais utilizados.

Aids cresce em mulheres – A tendência de redução da idade de início da vida sexual em mulheres já havia sido considerada no Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST, lançado em março de 2007. Dois fatores básicos levaram à construção do documento: o aumento de 82% no número de casos de aids registrados no sexo feminino, entre 1995 (7.280 casos) e 2005 (13.249); e os cenários de vulnerabilidade das mulheres ao HIV.

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS), metade dos 33 milhões de infectados pelo HIV em todo mundo são mulheres. Na África, elas representam 60%. Segundo o UNAIDS, a desigualdade de gênero e todas as formas de violência contra as mulheres são fatores determinantes para o crescimento da vulnerabilidade feminina à doença.

Essas desigualdades ficam mais claras nas relações de poder entre homens e mulheres, na menor capacidade que as mulheres têm para negociar o uso do preservativo e tomar as decisões que envolvem a sua vida sexual e reprodutiva, além da violência doméstica e sexual praticada contra mulheres e meninas.

Discriminação e preconceito de raça, etnia e orientação sexual e falta de percepção das mulheres sobre o risco de infecção pelo HIV completam a lista de vulnerabilidades. Nesse contexto, inserem-se as transexuais, que pela primeira vez são oficialmente reconhecidas como mulheres. Esse grupo, além de todas as vulnerabilidades características do público feminino, também está exposto aos efeitos da homofobia.

Acesso ao diagnóstico – Uma das principais metas do Plano diz respeito ao acesso ao diagnóstico do HIV. A previsão é dobrar, nos próximos anos, o percentual de mulheres que já realizaram teste anti-HIV, dos atuais 35% para 70%, dando seqüência ao significativo avanço observado entre 1998 e 2005, quando o índice passou de 17% para 33%. O resultado é explicado, em grande parte, pelo aumento da realização do teste no pré-natal.

As diferenças de gênero também ficam mais explícitas quando se analisam alguns índices de uso de preservativo na primeira relação sexual. Entre homens jovens, as principais razões para não usar o insumo são a falta da camisinha na hora da relação, a ausência de informação e orientação e o fato de não pensar no assunto.

Entre mulheres jovens, a confiança no parceiro aparece como principal motivo, ao lado de não lembrar do preservativo e não tê-lo na hora do sexo. Outros cenários são ainda mais contrastantes: 87% dos homens usam preservativo em relações sexuais eventuais, mas apenas 23% das mulheres o usam com namorados, noivos ou maridos.

O Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia foi elaborado em parceria entre o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e agências das Nações Unidas, incluindo o UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, o UNIFEM e o UNICEF.

Para ler a notícia completa sobre a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde 2006, com informações sobre gestação e parto, nutrição das mulheres, acesso a medicamentos, mortalidade infantil, aleitamento materno, desnutrição infantil e acidentes com crianças, clique em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/pnds/index.php.

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