UNFPA

 

 

 

Objetivo 6: Combater o HIV/aids, malária, e outras doenças

KINGSTON, JAMAICA

Jason está no paraíso: seiscentas garotas no auditório gritando e acenando para ele. Gostaria que seus amigos o vissem ali, no palco do auditório de uma escola de meninas, rodeado dos músicos mais famosos da Jamaica.  Eles tocam reggae e rap e são da sua idade. É possível que eles algum dia tenham sido pobres como ele. Os músicos lhe abraçam, sentindo-se orgulhosos por ele.

Jason vive com HIV e havia acabado de contar a sua história. Falou às meninas que elas precisavam assumir o controle de suas próprias vidas. Agora tudo treme; o som surdo do baixo reverbera no seu peito, como um som amplificado das batidas do coração.

Das coxias, Jason observa. Os cinco músicos da banda TOK cantam, tocam e dançam, e com eles cantam as seiscentas garotas.

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Os últimos dois anos foram os melhores e os piores da curta vida de Jason. Teve sua iniciação sexual ainda muito jovem – não se lembra se aos 11 ou aos 12 anos. Nas relações sexuais, não tomou precauções, porque não era coisa de macho, apesar de viver em Kingston, a cidade com os mais elevados índices de HIV/aids do país

Atualmente, sete mil jovens se infectam por dia com o HIV no mundo todo, em sua maioria mulheres.

Jason não era bom aluno, mas era bom de briga. Empunhando um facão, corria atrás de qualquer um que o desafiasse. Eram necessários vários adultos para segurá-lo. Era alto e forte e aparentava ter mais idade do que tinha.  Vivia com pressa.

Um dia, um conhecido lhe ofereceu um revólver e um lugar numa gangue. Corria o risco de viver uma vida de violência, a serviço do crime organizado, como tantos outros em seu bairro pobre. Recusou a oferta, pois não queria morrer jovem como eles.

Aos 17 anos, teve de valer-se dessa mesma determinação e fortaleza para conviver com o HIV. O estigma social relacionado a essa doença era tão horrível no bairro, que uma mulher soropositiva trancou-se num quarto e pediu à mãe que dissesse que ela havia morrido. O próprio Jason costumava cobrir a cabeça quando tinha que sair de casa.

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Na escola de meninas, o mestiço de cabelo louro Red Rat canta em ritmo de rap. As meninas estão nas pontas dos pés e gritando. Ele canta:

“...porque aids é uma doença

que não tem cura

num importa se você é rico

num importa se você é pobre.”

A aids ainda não tem cura, mas para uma pessoa pobre como Jason, o preço da sobrevivência com HIV é muito alto. A entidade Jamaica Aids Support lhe fornece os medicamentos e a ajuda necessária para que ele possa sentir uma mudança profunda no seu estilo de vida. O garotinho com um corpo de homem agora é um jovem adulto que consegue se lembrar de tomar dez comprimidos diários em diferentes  horários. O estudante que fugiu da escola para ir pescar no mar agora é um artesão que fabrica velas.

O brigão de temperamento explosivo diz:

“Agora, antes de entrar numa briga, eu penso primeiro se vou poder sair dela.”

O perigo ainda existe, mas agora ele se cuida.

O garoto que nada sabia a respeito da aids e tinha medo de que os outros descobrissem que ele era soropositivo, agora sobrevive dando exemplo e contando sua história em boates, escolas e concertos, como o de hoje na escola de meninas.

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Jason é chamado ao palco. É o final do concerto. Ele avança lentamente e fica parado detrás da segunda fileira de músicos.  Delicia-se com a cena, no meio de todo o barulho. Coloca, então, a mão no ombro de Red Rat e fala:

“Estou melhorando, cara.  Mesmo que seja devagar.”