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Jovens que participaram do projeto "Promovendo Direitos de Jovens" lançam Web TV para divulgar cultura da periferia

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O Mídia Periférica foi criado por jovens de Sussuarana com o objetivo de mobilizar jovens, divulgar ações e atividades de movimentos sociais e grupos das comunidades baianas

O Mídia Periférica foi criado por jovens de Sussuarana com o objetivo de mobilizar jovens, divulgar ações e atividades de movimentos sociais e grupos das comunidades baianas

Salvador - Divulgar ações e atividades promovidas nos bairros da capital baiana a partir de suas próprias lentes, democratizar o acesso à informação, mobilizar e formar a juventude no uso das ferramentas de comunicação. Estes são alguns dos objetivos do Mídia Periférica, grupo criado por jovens, de ambos os sexos, que participaram do projeto “Promovendo Direitos de Jovens: Cultura e Saúde Sexual e Reprodutiva em Salvador”, iniciativa realizada em 2010 pelo UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, na comunidade de Sussuarana.

Criado por Enderson Araújo, Liege Vegas e Ana Paula Almeida, o Mídia Periférica se propõe a auxiliar as organizações e movimentos sociais das comunidades baianas na promoção de suas atividades socioculturais, seja elaborando produtos de comunicação (fotografias, clipes, vídeos e entrevistas) seja atuando como agentes multiplicadores de informação junto a outros/as jovens.

A ideia, que surgiu de forma modesta, está ganhando aos poucos visibilidade e ampliando horizontes. Em outubro deste ano, o trio, que também apresenta o programa “Radiação Favela” na rádio comunitária do bairro, lançou a Web TV Mídia Periférica. Em entrevista ao UNFPA, o jovem Enderson Araújo contou um pouco sobre os desafios enfrentados no surgimento do grupo e da Web TV, cedida pela Rede Servidor.

Confira entrevista com Enderson Araújo, do Mídia Periférica.

enderson midiaperiferica

Como surgiu o Mídia Periférica?

Surgiu depois das oficinas que tivemos com o Instituto Mídia Étnica no projeto “Promovendo Direitos de Jovens”, em Sussuarana, projeto realizado pelo UNFPA na comunidade. Começou quando foram ministradas as oficinas de Direito à Comunicação com Paulo Rogério e Ivana Doralí, depois tivemos a oficina de Produção de Vídeo com Paulo e Manoel Nola, da Backligth. Nesta últimas aprendemos como criar roteiro, gravar usando uma câmera profissional, a fazer edição. Comecei a fazer fotos na comunidade, também após a oficina de Fotografia com Eduardo Tavares, que despertou em nós “esse olhar fotográfico”. A partir dessas oficinas passei a perceber algumas carências da comunidade que não são mostradas na grande mídia.

Quando se fala em Sussuarana na televisão, aparecem apenas as mortes ou policiais invadindo a comunidade, como se existissem no local, apenas marginais. Isso não é verdade. Comecei a fazer fotos e expor. Fiz alguns vídeos slides com as imagens de Sussuarana. Mas percebi que precisava ter uma marca para simbolizar, não apenas fazer os vídeos e postar no Youtube. Pensei...E surgiu o Mídia Periférica. Os jovens e as jovens do projeto gostaram do nome, da ideia, então começamos de fato com a construir! Eu sempre senti que as pessoas tinham o Mídia Periférica como um passatempo, mas eu não. Sempre pensei em levar a diante, de forma séria. Então a coisa foi crescendo.

Elaboramos algumas iniciativas com a comunidade. Em certos momentos não deram certo, pois somos ainda muito ’pequenos’, não temos experiência, estávamos fazendo os planos de forma muito popular. O “Promovendo Direitos de Jovens” acabou no final de 2010 em Sussuarana e os/as jovens foram trilhar os seus próprios caminhos. Para Liege Vehas, a ‘Bel’, e Paula Almeida, a ‘Paulinha’, que dão continuidade ao Mídia Periférica ao meu lado, o nosso caminho foi e é esse.

De que forma vocês se articulam com as comunidades, qual o objetivo do Mídia Periférica ?

Nos articulamos por meio das redes sociais, pela na internet mesmo. Quando não estamos nas redes e vemos algo interessante acabamos filmando. O objetivo é a democratização da mídia e da comunicação nas comunidades.

Queremos compartilhar com as e os jovens desses bairros/locais tudo que aprendemos. Seguindo a ideia principal do “Promovendo Direitos de Jovens”, nos tornamos multiplicadores. E a nossa ideologia é essa. Multiplicar.

Apoiamos mais a divulgação de ações culturais. Temos muito contato com os artistas da cultura Hip Hop. Apoiamos mais essa área da cultura, mas também fazemos outras coisas. Por exemplo, há algumas semanas ministramos algumas oficinas de produção de vídeo em um assentamento do Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), que logo apresentou resultado. Elen Catarina, que foi uma das facilitadoras do “Promovendo Direitos”, me convidou para dar essa oficina aos jovens. No primeiro dia mostrei um vídeo de uma entrevista que fizemos com Paulo Vendaval, falando sob re Abdias do Nascimento e identidade negra.

No dia seguinte uma menina de 13 anos me mostrou uma poesia que fez com base na “aula”. O primeiro contato que ela teve com a dialética de identidade negra e já veio com um poema.


E a TV Web Mídia Periférica. De onde surgiu a ideia e qual a proposta?

Uma iniciativa nossa. Sempre foi uma ideia, mas não sabíamos como fazer. Pensamos em fazer vídeos e colocar no Youtube, mas ficava muito solto. Foi então que o Moisés Almeida, da TV Servidor, estava fazendo uma filmagem em um evento que estávamos apoiando e perguntou sobre o Mídia Periférica. Ele se apresentou como Diretor da Rede Servidor e disse que queria apostar na gente. Nos deram suporte, como câmera de estúdio e ilha de edição. Há algumas semanas fui convidado por Moisés para estagiar na Rede Servidor, onde poderei aprender mais sobre as técnicas de filmagem e edição. A web TV pode ser acessada pelo site www.redeservidor.com/midiaperiferica. Agora o que nós precisamos fazer é um projeto apresentável para as instituições.

Também estamos no processo de reconstrução do nosso blog para que as pessoas possam acessar e conhecer mais os objetivos do Mídia Periférica. Estamos correndo atrás.

E como está sendo o reconhecimento de vocês por parte da comunidade?

Depois da Web TV nós tivemos um estouro. Onde nós chegamos as pessoas falam conosco e elogiam o nosso trabalho. E eu fico me perguntando... De onde essas pessoas me conhecem? Então é isso. Tive a oportunidade de conhecer o BNegão, cantor e compositor de Rap, que chegou para mim e disse que a juventude tem de tomar a frente, ser independente mesmo, pois a mídia vem de fora mostrar o que está dentro da comunidade e também tem que levar o que esta dentro para fora. Nós estamos dentro e podemos levar para o mundo tudo o que vemos e vivemos.

Além da Rede Servidor, quais são os outros apoiadores do Mídia Periférica?

O Instituto Mídia Étnica nos ajuda. Sempre estão conosco. Apoio financeiro não temos, nem de políticos. Não queremos ter de dialogar com essa esfera.
Pois tudo que se faz, gera uma troca. Sabemos e não queremos. Já na comunidade temos um programa na Rádio Comunitária. O "Radiação Favela". É transmitido todos os os sábados, das 14h às 16h e domingos, das 9h às 10h.

Eu apresento e as meninas do Mídia Periférica fazem a produção. Falamos sobre os eventos da comunidade, levamos pessoas para serem entrevistadas.
Também em Sussuarana contamos com a ajuda do CENPAR (Centro Pastoral Afro), que deixa os computadores da instituição disponíveis para o nosso livre uso, também tem o pessoal do ponto de camisetas. Muita gente boa colaborando!

Ainda agradecemos ao UNFPA. O “Promovendo Direitos de Jovens” foi o nosso pontapé inicial. As oficinas foram essenciais para nossa formação. Pegamos um pouco de cada um. Relações de gênero, educação entre pares, mediação de conflitos... Mesclamos e fizemos uma coisa só. Todos e todas tiveram sua parcela de contribuição para o existência do Mídia Periférica.

* Por Midiã Santana


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