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Representante Adjunta do UNFPA visita a Bahia e conhece jovens de projeto

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Florbela Fernandes esteve em Sussuarana, na capital baiana, e falou sobre a importância da Saúde Sexual e Reprodutiva no desenvolvimento do país

Florbela Fernandes esteve em Sussuarana, na capital baiana, e falou sobre a importância da Saúde Sexual e Reprodutiva no desenvolvimento do país

Em sua primeira missão oficial no país, a Representante Adjunta do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Florbela Fernandes, teve a oportunidade de conhecer as/os jovens do projeto ‘”Promovendo os Direitos de Jovens: Cultura e Saúde Sexual e Reprodutiva em Salvador”, no bairro Sussuarana, em Salvador (Bahia). Os jovens participantes do projeto não aprendem apenas assuntos relacionados ao mandato do UNFPA, mas também a construir melhores perspectivas de futuro.

A Representante Adjunta pôde observar os debates que surgiram durante a apresentação do módulo ‘’Mediação de conflitos’’ do projeto, realizada em maio. Temas como o mau atendimento nos serviços de saúde foram discutidos pelas/pelos jovens que encenaram duas situações de desentendimento e mostraram como solucioná-las de forma respeitosa, cidadã e com uma abordagem de direitos humanos.

Para Florbela Fernandes, a capacidade que as jovens e os jovens têm de alcançar os seus objetivos está ligada à busca pela conquista dos seus sonhos. E, antes de qualquer decisão, é preciso que tenham conhecimento sobre os seus direitos. “O que se pretende, em uma base de direitos, é que o acesso aos serviços seja para todas as pessoas e que o atendimento seja adequado e de boa qualidade também para todas as pessoas”, destacou Florbela, que falou ainda sobre a importância da Saúde Sexual e Reprodutiva para o desenvolvimento de um país. Confira a entrevista:

UNFPA - Como você caracteriza esse seu primeiro contato com o projeto? Em sua opinião, de que forma essa ação vai interferir na vida dos jovens e das jovens de Sussuarana?

Florbela Fernandes - Foi muito importante para mim porque essa também foi a minha primeira oportunidade de estar fora do escritório e visitar o projeto. Sobre o projeto em si, eu penso que dá oportunidade para as e os jovens terem uma visão ampla sobre diversos temas, não especificamente os temas principais do UNFPA, ligados a saúde sexual e reprodutiva, mas sobre direitos humanos, sobre oportunidades.

Assim, elas e eles terão acesso a informações e conhecimentos sobre como funciona a sociedade como um todo, sobre a necessidade de existir mais jovens na liderança dos assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento dos países e também das comunidades onde estão inseridos. Mas claro que é sempre um desafio.

Os/as jovens sempre têm muitas expectativas e é difícil contemplar todas em um projeto, numa iniciativa, mas o fundamental é isso, explicar e desenvolver neles e nelas essa habilidade de serem sujeitos políticos ativos capazes de explorar as oportunidades que existem e irem atrás daquilo que têm como sonho. O direito a sonhar com uma vida diferente é fundamental.

UNFPA - Durante a oficina do módulo de Mediação de Conflitos, em ambas as encenações as e os jovens utilizaram situações relacionadas, de algum modo, com o direito humano à saúde. O que você achou dessa analogia na encenação?

FF - O fato de identificar e trazer à cena tais situações já pode ser considerado positivo. Quanto à saúde, o atendimento nem sempre é aquilo que as e os jovens esperam. Há uma noção clara de que tipo de atendimento seria o apropriado, e que tipo de atendimento alguns jovens, algumas famílias têm. E o que se pretende em uma base de direitos é que o acesso aos serviços seja para todas as pessoas e que o atendimento seja adequado e de boa qualidade também para todas as pessoas. Então, certamente, relatar os problemas já é meio caminho para se fazer a diferença, pois sabendo dessas restrições podem ir atrás, buscar os direitos que têm.

UNFPA - No mundo, quais são os principais desafios relacionados à população jovem quando o assunto é saúde sexual e reprodutiva?

FF - Quanto à saúde sexual e reprodutiva, existem três aspectos que valem a pena destacar. O primeiro é a necessidade de envolver as e os jovens nos processos de elaboração das políticas e programas sobre saúde sexual e reprodutiva. Os/as jovens têm necessidades muito particulares, nem sempre é fácil para eles e elas terem acesso aos serviços. A informação também é importante. Quando as pessoas jovens têm acesso à informação, os serviços e os profissionais que neles atuam acabam por ser mais sensíveis em relação àquilo que é prioritário para as e os jovens.

Depois, é a área do desenvolvimento dessas habilidades. O projeto que nós temos olha para algumas dessas necessidades, algumas das habilidades estão relacionadas ao direito de acesso à informação. O que jovens como eles e elas deve ter? Quais oportunidades têm para ir melhorando essas habilidades? Outro aspecto importante também é o próprio acesso aos serviços. E aí é importante que saibam onde estão os serviços de saúde que desenvolvem ações em saúde reprodutiva. Estando em situação de violência, é importante saber que podem procurar esses serviços para sua defesa, para denúncia, para apoio...

UNFPA - Há alguma especificidade para a América Latina e Caribe em relação à esse tema?

FF - Estudos mostram que os índices ainda são preocupantes. Portanto, demanda de nós uma resposta, um entendimento. E tudo começa entendendo-se o porque. É preciso entender por que os índices de gravidez ainda são altas entre as jovens em toda a região. O que está faltando?
Seria o caso de melhorarmos o acesso à informação? Apoiar na construção de habilidades para a vida? Garantir que mais jovens possam saber o que fazer? Seria questão também de tratar pelo ponto de vista dos serviços? Quão adequados às necessidades das e dos jovens estão os serviços de saúde? Então é mais uma questão que preocupa.

Também é importante passar o que significa uma gestação não planejada para a vida de uma ou um jovem. Penso que é muito importante, em todos os países da América Latina e Caribe, passar a mensagem às e aos jovens de que elas e eles tomem suas decisões livremente, com segurança, mas também façam com a informação necessária para não por em risco seu futuro. É importante que lhes sejam oferecidos informações e serviços.

UNFPA - Quais são os principais indicadores de Saúde que fazem relação direta com o grau de desenvolvimento de um pais?

FF - Dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, temos vários indicadores. Por exemplo, no ODM 5 (melhor a saúde materna) temos que olhar para as taxas de mortalidade por causas relacionadas à gravidez, ao parto ou pós-parto, que é um indicador fundamental. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, são aceitáveis 20 mortes de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. No estado da Bahia, os dados oficiais mostram que as taxas são 5 vezes maiores, por isso nossa parceria com o governo do estado, com o governo do município de Salvador e com a sociedade civil. Melhorando os índices na Bahia, estaremos contribuindo para a melhora dos índices no país e também na região. Então, ao olhar para os índices de morte materna, avaliamos o acesso e a qualidade dos serviços prestados, a formação dos profissionais, o acesso à informação e a ações de planejamento familiar, que incluem acesso aos métodos contraceptivos.

*Florbela Fernandes é moçambicana e trabalhava no escritório do UNFPA em seu país de origem. Chegou no Brasil há cerca de 5 meses e têm experiência acumulada no trabalho com jovens e com mulheres.

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