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Mapa da Violência 2016: cresce o número de homicídios de jovens

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Cerca de 25 mil jovens de 15 a 29 anos foram mortos por armas de fogo no Brasil em 2014, um aumento de quase 700% em relação aos dados de 1980. Com isso, o Brasil ocupa a 10ª posição em número de homicídios de jovens entre 100 países analisados. Os dados são do “Mapa da Violência 2016”, lançado ontem (15), na Câmara dos Deputados em Brasília.

Mapa da Violência 1

Jovens negros são as principais vítimas dos homicídios por armas de fogo no Brasil, segundo Mapa da Violência 2016.

A edição traz como foco os homicídios por armas de fogo no Brasil durante o período entre 1980 e 2014. Os índices de mortalidade foram estudados segundo dados desagregados por sexo, cor e faixa etária nas 27 unidades federativas do país.

O “Mapa da Violência 2016” tem autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da área de Estudos sobre a Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). A primeira edição do “Mapa” foi publicada em 1998 e, a cada ano, foca em um tema diferente, como homicídio de mulheres ou violência contra adolescentes.

Jaime Nadal, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), integrou a mesa de lançamento. Ele ressaltou que a violência, em todos os níveis, é um dos maiores desafios que o Brasil precisa superar.

Nadal comentou que é necessário mudar a situação dos jovens: “apesar de serem apontados como os principais responsáveis pelas alarmantes estatísticas no Brasil, adolescentes são mais vítimas do que autores de atos violentos”. O representante lembrou que a violência afeta principalmente juventude negra e pobre e falou sobre o feminicídio, sobretudo contra jovens negras.

“O UNFPA e outras agências da ONU no Brasil têm atuado em várias frentes, apoiando ações afirmativas que buscam promover a participação de pessoas jovens e diminuir as desigualdades étnico-raciais”, concluiu.

Parceira no lançamento do “Mapa”, a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) foi representada pelo secretário Assis Filho. Para ele, o governo não pode se envergonhar dos dados apresentados, mas sim reconhecer a sua existência a fim de melhorar as políticas públicas para os jovens brasileiros.

“A violência tem cor, faixa etária e moradia”, disse Assis Filho, referindo-se aos números da violência contra a população negra, jovem e periférica. Ele reafirmou que a geração atual tem papel definitivo no processo de mudança social dos jovens brasileiros.

Assis Filho informou ainda que a SNJ e seus parceiros estão trabalhando no relançamento do Plano Juventude Viva, um “grande plano”, segundo ele, que visa reduzir a vulnerabilidade de jovens negros às situações de violência física e simbólica.

Em referência aos dados, Juvenal Araújo, assessor especial da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social (SEPPIR), comentou que é inadmissível que, a cada três jovens assassinados no Brasil, dois sejam negros. Araújo disse que faltam políticas efetivas para acabar com o genocídio da população jovem brasileira.

Mapa da Violência 2

Assis Filho, Secretário Nacional de Juventude, Juvenal Araújo, assessor especial da SEPPIR, e Jaime Nadal, representante do UNFPA, compuseram a mesa.

Dados do Mapa

Esta é a quinta vez que o “Mapa da Violência” tem como foco a letalidade das armas de fogo no Brasil. Os registros, desde 1980, apontam que aproximadamente 1 milhão de pessoas já foram vítimas de disparos de armas de fogo.

No país, o número de armas de fogo não registradas é maior que o de registradas - 8,5 milhões contra 6,8 milhões. Calcula-se que 3,8 milhões estão em mãos criminosas.

Entre as unidades federativas, Alagoas é o estado com a maior taxa de homicídios por armas de fogo: 56,1 vítimas por 100 mil habitantes em 2014. Ceará e Sergipe vêm em seguida. Os estados com as menores taxas são Santa Catarina (7,5) e São Paulo (8,2). A média brasileira em 2014 foi de 21,2 vítimas por 100 mil habitantes.

De 1980 para 2014, o número de homicídios por armas de fogo subiu de 6.104 para 42.291 (crescimento de 592,8%). Na faixa etária de 15 a 29 anos, o crescimento foi ainda maior, de quase 700%, com mais de 25 mil homicídios em 2014.

Enquanto os homicídios na população branca decresceu mais de 26% entre 2003 e 2014, o número de vítimas negras aumentou em 46,9%: a cada 100 mil habitantes, foram 10,6 mortes de pessoas brancas em 2014 contra 27,4 de pessoas negras.

A nível internacional, com dados até o ano de 2012, o Brasil ocupa a 10ª posição entre 100 países analisados. Quem encabeça a lista é Honduras, com taxa de 66,6 homicídios por 100 mil habitantes e El Salvador (45,5). A nação sul-americana com a maior taxa de homicídios por arma de fogo é a Venezuela (39).

As informações completas podem ser encontradas na versão on-line do "Mapa da Violência 2016".

Mapa da Violência 3

Grupo Assessor sobre Juventude

O Fundo de População das Nações Unidas coordena, em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude, o Grupo Assessor Interagencial sobre Juventude da ONU no Brasil. Formado por 10 agências da ONU e pelo Conselho Nacional de Juventude, o Grupo Assessor tem como objetivo proporcionar diálogos entre a sociedade civil, os governos e a ONU sobre a juventude brasileira.

Texto e fotos de Jorge Salhani

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